a fortiori

Tuesday, June 27, 2006

Indignações (quase) manifestadas.

encontro-me num possível jogo de anistia de meus pensamentos.
a fuga de meus preceitos e crenças seria uma fatalidade?
grande desespero para quem se entorpece prazerosamente nas palavras embebidas em doce veneno.
meu veneno é a culpa que tens ao ler.
meu veneno é que te prendo os olhos mesmo quando cerras as pálpebras. minha imagem tua mente não cogita qualquer possibilidade de sanar.
não seria mais (tampouco menos) uma praga, mas aquilo que se planta também se colhe nesta vida. e me mostrasse o caminho da ingratidão, portanto hoje te mostro o caminho da remissão de seus pecados. pois diante de ti, teu espelho não reflete a imagem pura que buscas.
diante de ti não há brilho que resplandeça debaixo da poeira que se instala constantemente.
não adianta procurar sanar os atos cometidos.
não se busca a exculpante de seus pecados. tampouco suas justificativas.
não se prenda na sua culpa. a vergonha o reprime mais. pois sabe que diante dos olhos meus, tu não passas de uma grande vergonha. a falha em seu caráter é tão escrúpula que não consigo agregar a ti qualquer valor. não mais! e basta tentar calar minhas angustias e indignações! já basta!!! já basta tentar te desculpar e lhe estimar com carinho! já me basta... pois pra você, caro amigo, o que te basta?!


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Indignações (quase) manifestadas.



Não se busca a coerência dos atos humanos. Isso não é apenas uma afirmação. É também um grande conselho.

Até quando você vai tentar buscar soluções a problemas sem causa, remédios para dores invencíveis, e desculpas para pessoas mal amadas?
Certas coisas não se vencem e nem deixam sem vencidas. Há coisas maiores para nos preocuparmos do que com a saliência doentia de problemas, e a busca infreável e completamente inútil de situações.
Largue mão de sua teimosia redundante! Não percebes que nada basta aquele que já se fartou com sua presença? Permito-me lançar a pergunta: o que te basta?!
É uma forma de exaltação da minha indignação. Penso que nada basta por si só. E tudo não se vale ao se bastar. Minha incoerência é completamente bem julgada. Mas se pensarmos um pouco é verdadeira a minha cogitação. Se temos o que planejamos e o que imaginamos conquistar, sempre haverá um porém batendo a nossa porta. Se não conseguimos o que almejamos de todo nosso ser, não basta apenas o querer, mas outros fatores que alimentem ainda mais o sonho, para que quando eximido não se bastar por si só. Creio que os homens se alimentam de uma cultura onde nada se basta e tudo se alimenta.

Mas comecei esse raciocínio (incoerente talvez) por pensar em freios. Sim, freios. Pausas. Paradas. Estabelecer-se. Afinal, a que ponto será que nos aproximamos de um possível basta, que nos leva a estacionar nossos anseios e fixar os olhos em um ponto só?
Sou completamente adepta a mudanças constantes. E sinceramente, se me fosse permitido, seria eternamente nômade. Mas creio que a estabilidade é natural do homem em algum estagio de sua trajetória neste mundo, ou em alguma parte de sua breve vida terrena.
E o que exalta esse desejo pelo único? Que situações que nos param, prendem e estabilizam a alma, finca raiz, enobrece o coração?
Se a vida é feita de escolhas, e estas moldam um ser em sua base e essência que carregara para o resto da vida, como é selecionada a escolha do basta?

Pergunto caro amigo, o que te basta? Já pensasse no que já te bastou alguma vez na vida? E para as lamurias daqueles que choram por amor, o basta que falo aplica-se à vocês. Mas não só de amor vivem os homens, como dizia à uma grande amiga e irmã hoje cedo. Não só de amor. É preciso acertar em outras escolhas, muito mais fundamentais e construtoras de um alicerce forte, para que se molde o amor. Para que se consiga cultivar um amor perpétuo a vida inteira.

Portanto, escolha caro amigo, escolha. Mas escolha bem!! Bem mesmo. Acredite no seu futuro e nunca apague seu passado. Tiramos da experiência aquilo que nos serve de molde. Tiramos de nossas decepções e sucessos o molde para a vida que esta chegando. E deixe chegar. Esteja pronto para bater e cair. Para vencer e perder. Mas tenha sempre o basta. Tenha sempre a certeza de quem estará sempre com você, numa estabilidade eterna que sobrevive qualquer mudança.

Tenha um basta no seu trabalho também. Não ame plenamente aquilo que tu faz.
É importante estar sempre um pouquinho insatisfeito. A criticidade não é algo a toa. É um modo de avaliar a si mesmo e toda a sua produtividade. Reconstrua a si mesmo para encontrar seu equilíbrio dentro de um plano estável repleto de pequenas mudanças. Construa uma muralha, mas deixe aberto um portão. Estique um cordão, mas o permeie de nós. É importante ter falhas e dificuldades. Os grandes homens não nasceram grandes. E nunca, nunca busque a plenitude da perfeição. Agradeça seus defeitos. Aprende-se muito e sempre com eles.

Mas reflita na questão: o que te basta?

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