a fortiori

Sunday, July 09, 2006

(discurso em frente ao espelho)
Discurso como um meio de fuga
Como um meio de demonstração da minha falta de coragem
Como meio de libertação de coisas que não entendo
E não pretendo entender
Sinto falta daquilo que não foi
Daquilo que não existiu e do que eu gostaria de ter me tornado.
E agora surgem novas oportunidades, muito mais atraentes que as de antes. Oportunidades sinceras ou não, mas que são exatamente o que sempre desejei.
E porque não?
Oportunidades.
Caminhos,
Escolhas.
Quando postos bem na nossa frente não os queremos mais.
Por que desejamos o indesejável e menosprezamos a possibilidade da perfeição?
Seria possível não cair em tédio profundo desfrutando da perfeição e das coisas certas?
Quanta busca ao antagonismo e a ilusão. Liberto-me da busca pela felicidade colorida e contos de fada. Liberto-me de procurar o que me completa. E passo a completar-me a cada dia com diferentes formas de preenchimento. Já não condiciono minhas alegrias a uma só forma de apoio. Sim apoio. Era só apoio...
Afinal, se fossemos para viver perfeitamente como a vida nos parece em planos e sonhos montados em nossa mente dissimulada, seriamos felizes de verdade?
Deixe seus preceitos e formulas no passado. Construa a sua felicidade, a sua vida. E perca as ilusões. Perca as ilusões meu bem.


----------------------------------------------------------

Sabe quando você cria imagens e situações na sua mente (que só sua mente iludida poderia ser capaz de criar) correspondentes ao seu real desejo de realidade? Aqueles momentos detalhadamente montados que queríamos tanto viver...
O que acontece se cada pedacinho dele começasse a emancipar-se do mundo imaginário e transcender-se para o mundo real? Não seria maravilhoso? Aposto que de imediato diria sim, mas... não é bem o que acontece.

Uma vez uma grande pessoa me disse: “se você realmente acreditar, se você realmente querer, você consegue o que quer que seja.” Rebato esta frase com outra filosofia: “cuidado com o que deseja.”

Sonhos românticos iluminados, meus sucessos de estupendo desempenho profissional, meus amigos perfeitos e os momentos mais legais imagináveis... creio que de tanto criar acepções deste tipo, alguns elementos de meus desejos realmente passam ao mundo real. Mas não do modo que gostaria.

Adianta alguma coisa ver o homem que você não ama dizendo as coisas que você sempre sonhou em ouvir? Adianta as oportunidades passarem e as expectativas a um passo de conquista e ser domada pela insegurança? Adianta ser salva por quem não brilha? Adianta o sufocar de quem não se suporta? Adianta a bela paisagem e a falta de olhar para contemplá-la? Adianta a festa e a falta de vontade de vibrar? Adiantam as boas notas e credibilidade e a falta de motivo para continuar? Adianta a manifestação de sonhos em fragmentos não posicionados de acordo com as necessidades reais?

Tenho medo. Medo de viver apenas em fragmentos e nunca conseguir organizar o meu todo. E a cada dia que passa, distancio-me ainda mais do meu ilusório perfeito, que nem seria tão impossível de alcançar... Mas coloco à minha frente obstáculos identificados que me prendem e me desviam. E já não sei mais qual caminho estou traçando e nem qual o sentido que teria tudo isso. Não sei qualificar a situação positiva ou negativamente, pois existe a falta de caracterização suficiente de meu espírito para condicionar a minha essência, que seria um guia preciso e distante de falhas. Ou talvez o meu problema seja que penso de mais... E prolongo-me em temas que dispensariam ponderação por seu grau de complexidade e indefinição.




-------------------------------------------------------------------------------


é.
e agora?



“As vezes não precisamos merecer algumas coisas. Elas simplesmente acontecem.”

Um amigo meu me disse isso hoje.
No momento, essa frase aplica-se melhor do que nunca.
Mas, sempre acreditei que havia um vínculo entre os fatos. “As coisas acontecem por algum motivo”... mas parece que realmente, as vezes não tem motivo. Não tem.
Então como manter-se calmo diante de maus acontecimentos, ou como querer passar bem a semana depois de uma tormenta forte? Se não é possível exculpar um fato ruim com um vínculo subjetivo que supomos veementemente existir, o que fazer com os fatos ruins? Nada? Nada.... Nada.
Passamos tanto tempo nos remoendo com más lembranças e as exculpando com teorias banais, que creio que esse tempo não seja equivalente com o que gastamos em comemorações e felicidades. Seria possível que a tristeza e a decepção geram mais temas e assuntos? Por que o ser humano se alimenta daquilo que não tem resposta? Por que não gastamos mais tempo comemorando a felicidade que conquistamos e que realmente merecemos?!
E sinceramente... Paro para pensar... Quem são as pessoas que realmente merecem os fatos? Tanto as alegrias como as tristezas? Acho que não cabe a ninguém julgar o merecimento de outrem. E se existe um grande juiz que brinca com nossas vidas como marionetes em um showzinho patético de roteiro montado, há algum sentido em criar tantas expectativas sobre este mundo? Há algum sentido em demonstrar virtudes em um lugar onde não há avaliação a cerca do grau de merecimento? Dizem que “aqui se faz, aqui se paga”.
Será?
A impunidade reina nesse mundo. E já não seria certo viver corretamente.


2 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Só agindo virtuosamente se é verdadeiramente livre, independente de recompensa, a virtude é um bem em si. (Viva Kant!) hehehe.. bjos gatinha.

July 09, 2006 1:31 PM  
Anonymous Anonymous said...

Gatinha desculpa por ter te passado aql vírus!

July 13, 2006 8:03 PM  

Post a Comment

<< Home