Espaço existente entre você e eu em meu lençol. Espaço desconfortável a um de nós. Em lapsos de tempo encontro-me a encostar a ponta dos meus dedos no seu corpo teoricamente distante. Ali está você. Mais um suspiro para minha coleção de alívios e dores, e assim retorno ao meu sono profundo e calmo, pois sei que ainda não me abandonou.
Sonho com o nada absoluto e envolvente, em que o prazer manifestado é a sua presença inútil ali ao meu lado. E mais uma vez contorço-me ao seu alcance, encostando minha pele na sua. Abro os olhos e percebo que dormes profundamente, tranqüilo e despreocupado. Seria loucura essa minha aflição de que a qualquer momento você me fugiria os braços? Medo de não ter mais ao meu alcance alguém que nunca alcancei de verdade.
Minha utopia perfeita talvez não seja ter-te ao meu lado constantemente, mas sim possuir a certeza absoluta de que não irá a lugar algum. De que desta vez sou eu. Isso seria o descanso incansável de minha mente farta que me produz delírios e obras de ficção intermináveis. Seria minha calmaria, e os meus dias de sonos tranqüilos e profundos. Suspiros de conforto e felicidade. E adeus aos rasos lençóis...


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