farfalhar das asas (tomara que) incansáveis
E o que irá fazer quando todos que a circundam padecerem em sua contemplação?
Suas mosquinhas de plantão...eternas mosquinhas... sempre ao seu redor, farfalhando as asas em contentamento. Basta um sorriso e desabrocha um brilho no olhar... ah! as mosquinhas....doces e sempre presentes!
Deu-lhes nada. Nada lhes prometera... e de fato não os quer e se quer desejou-os um breve momento. Mas, sua presença lhe traz o conforto nos dias mais nublados. Ergue esperanças de que sim, talvez seja uma pessoa amável. Sim, de que é possível um dia fazer alguém feliz e ter alguém ao lado.
Oh mosquinhas... Nunca desapareçam. Se um dia ajeitarem suas vidas e resolvam seguir em frente, e a deixar então... o que fará? Oh mosquinhas. Levem-na consigo. Pois de muito afago precisa uma garota. E de seus quentes olhares e preciosos elogios seus ouvidos não devem viver sem! Desapego e desemparo... resta inerte ao sofá como um animal ao relento na relva. Nada mais espera por ela. E tudo ela espera do nada.
Ta. Tudo bem, nunca os quis e nunca os verá em seu futuro. Mas como é agradável ter suas mosquinhas e ouvir seu bater de asas fracas! E quando não restar uma sequer? Cansadas de bater asas em vão. Cansadas de receber rajadas de vento que as levam para longe e terem de lutar contra brisas para chegar um pouquinho mais perto. Só um pouquinho mais. Não existe espaço na vida alheia para aqueles que amam. Não existe contemplação nos olhos do admirável.
E de quem mais se sente falta, podes ter a certeza de que a sua falta não é sentida com tanta freqüência.
Portanto, compre mais um travesseiro para abraçar a noite, meu bem. Continua a espantar suas mosquinhas na tentativa de encontrar o seu encanto e o que brilhe no seu olhar.
Ao sofá. Ao relento. À espera do esterno inesperado. E vambora finalmente então.
(Adriana Calcanhoto. “entre por essa porta agora. E diga que me adora. Você tem meia hora pra mudar a minha vida. Vem, vambora.” E de fato o tempo leva....nas cinzas das horas!)


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