velhas e novas estações.
Os desejos permanecem tão somente na extensão de um momento. De uma fase. Se nada mais é igual, o desejo simplesmente esfarela-se perante os olhos.
Engraçado comparar o que era antes e o que se nota agora. As coisas mudam tanto que tudo o que não bastava, hoje não se compara. E o que mais incomodava, hoje é indiferente.
Percepções em um lapso de minuto, quando olhamos em volta e não mais nos sentimos em casa. É possível desdenhar quem mais se admirava? Com tanta força e veemência? É. Assim como não permanecemos, os outros não permanecem. E tudo aquilo que montava um conjunto já se vê perdido no espaço. Espaço que durante o tempo se alargou e conseguiu desagregar as coisas notáveis. Espaço em que nem o tempo nem a vontade retomariam. E espaço, que enquanto estava sendo formado nada se entendia, e hoje se agradece pelas novas concepções de que um passado julgado tão imponente hoje é meramente impotente. A impotência de atos e a inconformância de outros são conseqüências de escolhas próprias, como já mencionei anteriormente. Ainda não possuo a capacidade de enxergar tais escolhas. Mas as conseqüências são notáveis. Talvez não sejam as minhas escolhas que tornem isso mais fácil hoje, e mais solto. Tão mais fácil de deixar esvaecer. Tudo o que era e que se agregava memorável, torna-se água e escorre entre as mãos. E a vontade já não mais é a de recuperar as pequenas gotas e sim de deixa-las perderem-se num abismo onde não se poderia visita-las. Agradeça a tudo que viveu e passou. Mas não agregue muitos valores. Pois como disse, as pessoas mudam. E talvez na nova essência que carregam, já não seja nem uma obrigação póstuma tentar admira-las e muito menos conformar-se em um esforço para preservar sua presença. Talvez, quando já não se sente nenhuma afinidade, é melhor deixar partir e confina-las ao passado. E que este, muitas vezes não deva nem mesmo ser visitado de estação em estação.
As folhas caem. As folhas sobem ao vento no quintal. E agradeço a brisa por trazer consigo folhas novas de primavera, iluminando um pátio escuro que recolhe as velharias do inverno passado. Quem sabe a estação que esteja mudando seja só minha. E sei que será muito mais proveitosa do que as que permiti outrora, dando vazão e razão as primaveras alheias a florescerem sem considerar a minha própria, gritando sufocada por um espaço ao sol...


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