IndignaçõesInternas.
O fato de perceber as coisas que me satisfazem e são independentes da dependência externa. A interferência de outrem já não acumula prazeres.
Seria eu satisfatoriamente plena sozinha?
Resto aqui, sem companhia alguma e já não sinto vontade de procurar por alguém.
Não sei se este fato consumado é triste, ilusório ou um bom presságio.
Afinal de contas, toda a mulher quer ser plena por sua pessoa, e independente de um relacionamento que cause dependência extrema. Pois então. É o que possuo. Sinto-me feliz em minha própria companhia e me basto em saudar a mim mesma por meus feitios. Minhas realizações me completam. E não sinto mais a necessidade de partilhar das coisas mundanas.
Seria eu passível viver completamente sozinha?
E meus sonhos desde menina, encontrar alguém, casar e constituir família?
Completamente anos 50, eu sei. Mas depois de conhecer melhor o sexo oposto e compreender que não é assim tão fácil relacionar-se, percebo que não estou disposta a abrir mão de meus preceitos e valores em prol de alguém por mais que pareça valer a pena.
Seria extremamente egoísta pensar em si, e em prioridades de satisfação pessoal que excluem a participação alheia?
Sempre quis decidir por tudo sozinha, e seguir meu caminho com as próprias pernas. As escolhas são incumbidas somente a mim, pois quero chorar em minha derrota e vibrar em minha glória. Sempre achei, talvez por convenções sancionadas socialmente, que devesse ter alguém para dividir tudo. Compartilhar. Mas o que sempre fiz foi doar uma grande parcela de valor a pessoas que não precisavam. Sou tão útil a mim mesma e tão inútil às pessoas que julgo excelentes. Talvez sua excelência não aplique nem a elas mesmas. A essência que possuem e que me satisfaz não é por elas sentida da mesma maneira.
Penso que encontrar a mim mesma seja o mesmo que perder-me. Isolo-me do mundo exterior por medo que este me afete com seus conceitos mesquinhos e vazios. A avaloração que este mundo está preenchido não é o que eu quero para minha vida.
Ando pensando tanto em minha vida e em meu momento que às vezes penso que isso me afasta de momentos compartilhados.
Afasto toda e qualquer hipótese de amor que possa me ocorrer. Estou encontrando a minha jornada e parece-me que não há espaço para mais ninguém.
E quanto mais me preencho de mim mesma, mais vazia fico... pois ao meu lado no sofá resta minha xícara de vitórias. Minhas coleções anônimas de fantasias e minha colcha de retalhos... pedacinhos do que não se forma, do que precisa de mais alguém para se tornar algo por inteiro.


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