a fortiori

Sunday, September 30, 2007

Fecha-se num ato
No silêncio fogem as palavras
Nada se percebe
A respiração é breve
O desespero se expande
Alcançando valas por onde antes não passava
Muro embatível
Cada dia mais alto
Levando consigo
Meus melhores sonhos
Meus maiores carinhos
Minha saudade eterna
Do que não se teve
Esquece tuas palavras
Porque estas já nem querem surgir
Esquece seus medos
Seus freios
Não pense mais
Deite do meu lado
Esquece de tudo
De tudo

Dias vazios
Quando você vem sem desejo
Sem vontade
Sem carinho
Entediado em minha presença
Desapegado, como essência
Não sou nem vínculo, nem prova
Torno-me resto
Do que não se tem por inteiro
Arrastam-se as horas
Lentidão de um tempo imenso
O que de tão bom era passageiro,
Torna-se tormento para sustentar
Amargura para se calar
E fecha-se em meu peito
Eterna solidão
Que as mão não alcançam mais
Um arrepio frio
Que entra pela janela da sala de estar

Saturday, September 29, 2007

Fome de nada
O vazio que irrita
Sede de sono
E a noite é fria.
Viro na cama
Espero e imploro
O sono não vem
Já não se sabe se o deseja.
Não seria o dormir em si
Mais um passar das horas
Para que não se sinta tão só, tão inútil
Qual seria o propósito de tudo isso?
Sabe que se mata
Sabe que se envenena
Mas diariamente não encontra mais nada
Não deseja mais algo visível e palpável
Para que continuar aqui?
Adiantaria ir ver a chuva lá fora?