a fortiori
As palavras que não encontro caminham apressadamente para minha boca.
Desespero de não saber ao certo até que ponto freia-las. E se realmente deveria impedi-las de sair em profusão. Causariam espanto, indignação? Alivio, estagnação?
Controvertidos e manipuláveis, meu pensamentos já não encontram uma coerência. Não existe mais a verdade quando já se perde em medos.
Persuasão.
Persuasão.
Quando não sabemos exatamente a convicção de nossos desejos mais fortes, incumbimos aos outros a essência de nosso impulso.
Existe algo muito importante. Quando alguém te quer sempre ao lado não medirá esforços para que sua presença seja cumprida. E não se calará diante uma resposta negativa mediante qualquer circunstância.
Acho que o mais legal é notar o quanto pessoas que você mal conhece necessitam e externam essa necessidade de sua presença. Sem medir esforços e conseqüências. E quando se faz ausente reclamam exacerbadamente.
Ao contrario de quando em quem mais se acredita desdenha nosso afeto e compreensão de muito e muito tempo. Mais uma vez na reflexão mudança. O que nos torna incompatíveis. A evolução e o regresso. Os conceitos. As percepções.
E sempre digo, se nada te basta corra para o que te satisfaz. Acho que está na hora de esquecer sobre respeito, amizade e bons costumes. Quando quem você mais valorizava esquece destes com você, creio que já se atribui relutância ao seguir estes conceitos novamente. Um pensamento egoísta, sei bem. Mas se o que me satisfaz já não se preserva mais em um grupo que peno para atribuir compatibilidade até mesmo entre seus sócios mais perseverantes, por que raios deveria eu me sacrificar em explicações inexistentes e em tentativas falhas de uma nova emergência de compatibilidade?
Busco o que me complete, aquilo que falta e que me agrega essência. Se respiro fundo e algo me espeta profundamente, não estou bem, não estou em casa dentre de supostos amigos. Busco por emoções verdadeiras. Ainda que elas só existam e sejam sentidas por mim, são a satisfação. E o momento e a preservação da amplitude. Se todos os meus momentos forem preenchidos e repletos, esse é o caminho. Já não me importo mais em desagregar pedaços e seguir por outros caminhos. O que me faz suspirar e sorrir ao chegar em casa, é o que me faz bem.
E já penso encontrar novos trilhos que rumam ao caminho de satisfação.
Desfaço-me de tormentas e monto uma nova historia.
O vento lá fora me mostra que os novos dias estão ao meu alcance. Basta escolher se estanco ou sigo em frente.
Seguir em frente é menos doloroso do que permanecer. Então porque ainda me confino a esse mundo que já não é mais vistoso? Não me encanto com as pessoas que nele habitam, nem com o presente que me é imposto.
Alegrias mascaradas. Nada era real... hoje vejo que nem por um instante do pó se construiu algo sólido. E que o que se aplicou a mim em seus pequenos momentos de ilusão já eram gastos, já haviam sido aplicados com outrem...
Além de falha de caráter encontro a falta de originalidade de quem outrora ofuscava meus olhos com este encanto.
Existe muito mais além desse mundinho em que me fechei. Existe muito mais a meu alcance, e agora já não hesito em conquistar. Percebo que meus maiores temores e minhas melhores conquistas caminham juntos. Não me fecharei e não me confinarei a mesmice que te circunda e nem aos mesmos dias e a redundância.
Espalho a memória, dissemino as pétalas. Assopro com força. O vento se encarrega de levar para longe de mim o que já não preciso mais. Assim, me encho de felicidade e de força, e já encontro novos brilhos e futuras alegrias.
Espaço existente entre você e eu em meu lençol. Espaço desconfortável a um de nós. Em lapsos de tempo encontro-me a encostar a ponta dos meus dedos no seu corpo teoricamente distante. Ali está você. Mais um suspiro para minha coleção de alívios e dores, e assim retorno ao meu sono profundo e calmo, pois sei que ainda não me abandonou.
Sonho com o nada absoluto e envolvente, em que o prazer manifestado é a sua presença inútil ali ao meu lado. E mais uma vez contorço-me ao seu alcance, encostando minha pele na sua. Abro os olhos e percebo que dormes profundamente, tranqüilo e despreocupado. Seria loucura essa minha aflição de que a qualquer momento você me fugiria os braços? Medo de não ter mais ao meu alcance alguém que nunca alcancei de verdade.
Minha utopia perfeita talvez não seja ter-te ao meu lado constantemente, mas sim possuir a certeza absoluta de que não irá a lugar algum. De que desta vez sou eu. Isso seria o descanso incansável de minha mente farta que me produz delírios e obras de ficção intermináveis. Seria minha calmaria, e os meus dias de sonos tranqüilos e profundos. Suspiros de conforto e felicidade. E adeus aos rasos lençóis...